
Para o crítico Pablo Villaça*, “Ainda Estou Aqui honra a valentia de Eunice demonstrada por sua determinação em não permitir que o regime militar eliminasse o amor de sua família pela vida ou apagasse a memória de Rubens, transformando seu sorriso em desafio e sua persistência em arma.” […] “Eunice olha ao seu redor enquanto os filhos tomam sorvete no mesmo espaço que antes frequentavam com Rubens, a sensibilidade de Fernanda Torres em um dos raros closes do longa é o bastante para que saibamos o que ela está pensando e sentindo, sendo devastador perceber como o mundo parece seguir em frente sem se dar conta de que tudo o que mais importava àquela família foi destruído de um momento para outro. Igualmente poderoso, vale apontar, é o travelling que percorre a casa vazia dos Paiva e que em cada móvel ausente expõe anos de histórias, risos, afetos e sonhos. E como é triste e simbólico perceber como as janelas da residência da família, que antes se abriam para o mar, agora são obstruídas por prédios acinzentados.Incluindo duas grandes elipses que se revelam recompensas dramáticas excepcionais, Ainda Estou Aqui primeiro atinge o espectador ao transformar a emissão de uma certidão de óbito em motivo de celebração e, em seguida, ao concluir o arco de Eunice com a ajuda essencial de uma das maiores atrizes que o Cinema já produziu, Fernanda Montenegro, comunicando o acúmulo de dores e conquistas de toda uma vida sem dizer uma única palavra (e o fato de ser mãe de Torres e dividir com esta tantas características físicas só acrescenta à narrativa).
Mas talvez a maior prova do fracasso do regime militar seja testemunhar como, depois de golpeada de modo tão brutal, Eunice não apenas ajudou a transformar Rubens Paiva em um símbolo de resistência que hoje batiza ruas e é representado por estátuas como se tornou, ela própria, um exemplo de como negar aos fascistas a vitória final, sendo celebrada por sua luta e vendo sua família se expandindo ao longo das décadas, chegando aos seus últimos dias cercada por filhos, netos e bisnetos.”
Em suma, a história da família Paiva é uma obra de resistência contra regimes autoritários e faz pensar sobre a importância do Estado Democrático de Direito para que valores como cidadania e liberdade possam ser preservados. No contexto do Ensino Médio, tais temas transversais são importantes na formação dos jovens, além de servirem de capital cultural para pesquisas ou como referência na redação do ENEM.
O filme já foi assistido por mais de 5 milhões de pessoas, já ganhou dezenas de prêmios em vários países e venceu o Oscar 2025 e Melhor Filme Estrangeiro além de concorrer nas categorias: Melhor Filme e Melhor Atriz.
